segunda-feira, 2 de junho de 2008

Restinga ou cordão litorâneo de Maricá. Uma questão importante.

Uma questão ambiental complexa. PIB e desenvolvimento ou manutenção da vida, principalmente dos mais pobres. O projeto dos construtores espanhóis e portuguêses que vêm despejar seus Euros valiosos no município de Maricá- RJ é um dos exemplo de que o mundo é controverso, e que é preciso construir e desenvolver, mas também preservar a identidade de um povo, uma comunidade, uma história.
Assista a matéria em :http://br.youtube.com/watch?v=d4e6WSq12tA
e a parte 2 em:http://www.youtube.com/watch?v=grVV9xXPlY8

Cinco causas da crise de alimentos. Por Raj Patel.

Raj Patel é professor da Universidade de Berkeley nos EUA. É especialista em alimentos e já trabalhou no BIRD e na OMC. Lançou o livro "Stuffed and Starved" algo como "entupidos e esfomeados" onde analisa o fato de 1/6 da população mundial passar fome enquanto 1/6 da população sofre de obesidade. Para ele o mundo não deve seguir o modelo alimentar americano. Aponta ainda as cinco causas do problema mundial da falta de alimentos:
1-Preço do petróleo, tanto pelos transportes de mercadoria quanto pelos insumos agrícolas;
2-Colheitas ruins ( que alguns dizem ser problema do aquecimento global)
3-Maior demanda por carne bovina e de aves em países em desenvolvimento, o que puxa a maior demanda por cereais;
4- Os biocombustíveis;
5- Expeculação financeira .
Raj diz que comer carne significa luxo, riqueza. Os americanos vêm reduzindo o consumo de carne por causa do seu preço e por isso tendo seu hábitos modificados.

Esse texto foi adaptado de "O Globo" Cláudia dos Santos, em 25/05/2008

Educação financeira.

Com a moeda estável, facilidade de crédito rápido oferecido por financeiras, parcelamentos gigantescos entre outros, temos visto no Brasil um aumento na aquisição de bens imediatos. Mas umas perguntas devem ser feitas: Até quando? E o futuro disso? É viável? Ou acontecerá como nos Estados Unidos? Será que estamos pensando nas nossas aposentadorias? Será que prevemos gastos emergenciais nesse meio tempo?
Recebí de presente um livro muito bacana do Mestre em administração formado pela USP Gustavo Cerbasi e que me respondeu a algumas dessas questões que já vinha maquinando a algum tempo. O livro chama-se "Casais inteligentes enriquecem juntos" da editora Gente. Nele, o autor fala do planejamento familiar, dos gastos, ensina a preparar o futuro econômico, mas principalmente a ter disciplina e visão.
Nestes tempos da sociedade do consumo, em que é preciso "ter" para "ser", somos fisgados a todo instante a sempre querer mais. A ter o carro zero, a ter os eletrônicos da moda, as roupas da moda. Isso é uma armadilha as nossas vidas e sempre tenho o maior cuidado para não ser atraído por esse furacão de desejo que é a vontade de comprar. As vezes é inevitável, mas sempre deve-se ponderar muito sobre os métodos a que somos submetidos.
Nunca uma compra a prazo pode ser mais vantajosa que uma compra à vista. Nunca um cartão de crédito poderá jogar a seu favor (veja que no mínimo ele te cobrará uma taxa chamada anuidade), ter lazer não quer dizer "ter que gastar dinheiro!". Parece coisa de "pão duro", mas é a realidade amigos. Apenas a propaganda nos diz o oposto.
Creio que a educação financeira se for trabalhada na escola poderá frear um pouco essa fome de consumo e imediatismo. Acredito mais nas crianças como multiplicadoras desta idéia. É preciso aprender a planejar o futuro desde cedo. O Banco Central, a Comissão de valores monetários e o Ministério da educação estão com projetos para que isso ocorra e tomara não demore muito. O número de individados é cada vez maior no país. Ainda podemos consertar esse fato.

domingo, 1 de junho de 2008

Agricultura familiar- o abastecimento do Brasil.

Em meio à disparada de preços, agricultura familiar sofre com atravessador e desigualdade

Publicada em 31/05/2008 às 15h04m

Globo Online

RIO, SÃO JOÃO (PE) e IPÊ (RS) - Responsável por 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros, a agricultura familiar também colhe os frutos da disparada nos preços internacionais de grãos. Embalados por um forte aumento do crédito para o setor, os pequenos apostaram em suas lavouras e, agora, estão conseguindo preços um pouco melhores para seus produtos. Mas, para a agricultura familiar, os ganhos com o cenário internacional favorável nem de longe se aproximam do aumento de renda obtido pelo agronegócio, dizem os especialistas. É o que mostra a reportagem de Luciana Rodrigues, Letícia Lins e Higino Barros, publicada no Globo deste domingo.

Dificuldade de acesso ao mercado comprador, ausência de mecanismos para fazer estoques e aguardar picos de preços, barreiras técnicas e de acesso à terra reduzem os ganhos dos pequenos. E, quanto menor e menos organizado o agricultor, mais os lucros ficam na outra ponta da cadeia - ou seja, com o atravessador.

A escala de ganhos reproduz a histórica desigualdade brasileira. No Sul, onde as famílias possuem médias propriedades, formam cooperativas e têm acesso à tecnologia, os ganhos são vistos em carros na garagem; no Nordeste, os pequenos conseguiram feitos mais modestos, como a compra recente de eletrodomésticos.

Savanização.

BRASIL: CARRASCO E VÍTIMA

"Carrasco e vítima" talvez seja a melhor definição para o papel do Brasil no xadrez climático global. Apesar de subdesenvolvido, o país é o quinto maior emissor de gases-estufa do planeta. E, como todo país subdesenvolvido, sentirá de forma desproporcionalmente alta os impactos da mudança climática ao longo do século 21 e além.

Cerca de 75% do um bilhão de toneladas de gás carbônico emitidas pelo Brasil todos os anos vêm de mudanças no uso da terra. Em português mais claro: desmatamento. E quase todo o desmatamento se concentra na Amazônia. A maior floresta tropical do planeta já perdeu 600 mil quilômetros quadrados (15% de sua área) para lavouras, pastos e cidades. Até o ano 2100, poderá perder aproximadamente 20% para o aquecimento global, num fenômeno conhecido como savanização.

A hipótese de savanização foi desenvolvida em 2003, pelos pesquisadores Marcos Oyama e Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Eles criaram um modelo de vegetação potencial que, inserido no modelo climático do Inpe, estimava o efeito do aumento da temperatura sobre o tipo de vegetação nos vários biomas brasileiros (Amazônia, cerrado, mata atlântica, Pantanal, pampas e caatinga). O modelo prevê que, com 3ºC de aquecimento, uma porção da floresta amazônica fica seca demais para poder sustentar o tipo de vegetação que comporta hoje, com grandes árvores de folhas largas.

Onde há uma exuberante mata pluvial passará a crescer uma espécie de savana (cerrado) empobrecida. Uma vez que o efeito se instala, ele pode virar um dominó, arrastando boa parte da Amazônia. Isso porque uma parte significativa das chuvas na região Norte do
país é gerada na própria floresta, pela evaporação da água no solo e, sobretudo, pela transpiração das árvores, propagando-se no sentido nordeste-sudeste como num jogo infantil de passa-anel. Uma vez que a parte central-leste da floresta (que já é naturalmente mais seca) se savaniza, a cadeia de reciclagem de chuvas se interrompe, savanizando uma área ainda maior.

Nas palavras de Nobre, cria-se um "novo estado de equilíbrio" entre clima e vegetação, no qual é impossível voltar ao estado anterior. Ou seja, uma vez transformada em savana, a floresta nunca mais voltará a ser floresta.

Isso já seria uma catástrofe para a biodiversidade e motivo mais do que suficiente para tentar evitar que o aquecimento de 3ºC aconteça. Mas há mais detalhes nesta história: o ciclo de chuvas na Amazônia determina também o transporte de umidade para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Com a floresta modificada, o restante do Brasil ficaria automaticamente mais seco, e os rios que fornecem água e geram energia para a maior parte da população nacional teriam seu fluxo comprometido, especialmente na região Sul e na bacia do rio da Prata. Savanização, portanto, rima com apagão. Um bom motivo para qualquer empresário paulista se preocupar com a floresta, muito além de plantinhas e bichinhos.

As contas originais de Oyama e Nobre identificaram a temperatura mínima para disparar o fenômeno, mas não estimaram qual seria a probabilidade de isso acontecer de fato - o objetivo não era fazer uma previsão do clima e sim detectar mudanças nos biomas. Um grande estudo liderado por José Marengo, também do Inpe, cuidou da projeção. 21 Marengo cruzou dados de vários modelos climáticos usados pelo IPCC com modelos regionais de alta resolução desenvolvidos pelo próprio Inpe e pela USP para projetar mudanças do clima na América do Sul até o fim do século 21. Ele chegou a conclusões assustadoras: a temperatura na Amazônia poderá crescer de
3ºC a 5,3ºC (bem mais que a média nacional) até o fim do século, com uma elevação de inacreditáveis 8ºC no pior cenário. Isso sem contar o desmatamento, que em si mesmo também tem o poder de causar savanização, aquecendo o leste amazônico em até 4ºC.

O mesmo estudo estimou ainda temperaturas para o Nordeste, o Pantanal e a bacia do rio da Prata. Dentre todas essas regiões, a elevação mínima de temperatura dada pelos modelos em 2100 é de 2,2ºC. Nesse cenário, além de a Amazônia virar cerrado, a caatinga desapareceria, transformando o semi-árido nordestino em um deserto.

SÃO PAULO DA BORRACHA

Ao longo dos últimos cinqüenta anos, o Inpe já verificou que o Brasil esquentou mais do que a média mundial no século 20. As temperaturas máximas anuais no país subiram 0,7ºC somente nesse último meio século, enquanto o aquecimento durante o inverno chegou até 1ºC. O número de noites quentes no ano subiu de 5% no começo do século 20 para 35% no começo do 21. O de dias frios caiu de 25% a 30% na década de 1970 para 5% a 10% entre 2001 e 2002. "É comum ouvir das pessoas com mais de cinqüenta anos, especialmente no Sul e no Sudeste, a observação de que não faz mais frio como antigamente. Essa percepção é correta", escreveram Nobre e Marengo.

Tudo isso já tem impacto sobre um dos carros chefes da economia nacional, a agricultura no Estado de São Paulo. Um estudo desenvolvido em conjunto por Eduardo Assad, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Hilton Pinto, da Universidade Estadual de Campinas, mostrou que o café, que fez de São Paulo o estado mais rico do país no século passado, está sumindo aos poucos, cedendo lugar para uma forasteira insuspeita: a seringueira, nativa da quente Amazônia.

Para florescer, o café precisa de um clima quente, mas não muito: não pode haver mais do que cinco dias com temperaturas superiores a 34ºC durante a época da floração, no outono. Sem esses pudores climáticos, a seringueira tende a prosperar. Em 1990, a região de São José do Rio Preto, fronteira da cafeicultura paulista, tinha 2,3 mil hectares cultivados com borracha.

Em 2005, essa área havia crescido dez vezes. Dos computadores de Pinto e Assad brotam os novos mapas da agricultura brasileira. Para o café, um aumento de 5,8ºC na temperatura (o cenário pessimista das previsões do Inpe) significa uma redução de 92% da área apta para o plantio em São Paulo, Minas Gerais e Paraná - praticamente os únicos Estados que cultivam o grão. A cafeicultura migraria para o Rio Grande do Sul, o Uruguai e a Argentina. Uma elevação de meros 3ºC já significaria, para essa cultura, um prejuízo de R$ 2 bilhões.

Ainda mais emblemático - e problemático - é o caso da soja, menina dos olhos da agricultura nacional, que só em 2005 contribuiu com US$ 8,7 bilhões para a balança comercial brasileira. 25 A planta se dá bem em uma faixa extensa de terras no Brasil, que vai do Rio Grande do Sul ao Amapá, passando por Goiás, parte de Minas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Pará. No pior cenário de elevação de temperatura, com a redução das chuvas das quais o grão tanto necessita, ela se torna viável apenas em um pedaço da Amazônia e do Paraná. No Rio Grande do Sul, onde seu cultivo começou, ela desaparece por completo.

Texto de Cláudio Angelo , autor do livro "O aquecimento global" extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u367502.shtml

Crianças e o trabalho.


Lugar de criança é na escola. Já ouvimos isso pelo menos uma vez na vida. mas creio que todos os amigos que aqui fazem essa leitura na realidade já ouviram esse bordão de governantes por milhares de vezes. Numa andança por aí com minha câmera fotográfica por uma comunidade pobre em Maricá, tirei a foto acima, num dia de semana, dia de aula normal e fiquei refletindo sobre a realidade destes meninos. Meninos que como eu e vocês que aqui leêm essa postagem, tenho certeza gostávamos ou gostamos de brincar, de criar viagens deslumbrantes pelo universo infantil, criar profissiões mirabolantes, ser astronautas, pilotos, até mesmo soldados. Mas esses meninos não parecem ter que conviver apenas com esse sonho. Parecem ter outra realidade paralela a esse feito.
Semana passada, um grande jornal aqui do Rio publicou uma matéria sobre a realidade da violência nas escolas situadas em áreas de risco da cidade. Essa "Faixa de Gaza" nada fictícia tem o poder de competir com a escola no quesito recrutamento de crianças. Elas têm medo de ir as salas de aulas e muitas vezes veêm no tráfico de drogas o primeiro emprego. Eles e elas têm entre 11, e 17 anos, vivem em condições ruins, sem saúde, as vezes sem comida, sem os tênis da moda, e partem para uma vida "louca" como eles mesmos gostam de intitular. São os recrutas mirins das facções criminosas. Não têm perspecivas de vida a longo prazo.
Nos interirores, crianças são recrutadas para as roças, no intuito de ajudarem aos país na subsistência da família. E com a escola pública ficando de lado teremos cada vez menos froça para lutar contra os argumentos de pais que como seus filhos não têm horizontes para olhar.
Não se pode pensar em outra coisa para acabar com o trabalho infantil. A escola é a única porta para levar essas crianças ao novo mundo.

Sul da África e África do sul.

A região sul da África passa por maus momentos nesse instante. Específicamente na África do sul, país que já sofreu com o Apartheid (divisão entre negros e brancos) até a década de 1990. Isso ocorre porque o país é hoje a economia mais forte do continente, e embora ainda seja pobre, faz com que seus vizinhos de países ainda menos abastados sintam desejo de migrar para esse suposto "eldorado". Falamos de Zâmbia, Zimbabue e Moçambique, países próximos.
A África do sul (país que sediará a copa do mundo de futebol em 2010) possuí a pouca concentração das indústrias da África. Também enormes jazidas de ouro e diamantes. O sonho de coseguir um emprego e subsequentemente diminuir a fome, faz com que essa região seja um atrativos a população pobre dos outros países. Acontece que dentro da própria África do sul sua população já convive com um índice de 30% de desemprego, uma taxa alta. Conflitos então ocorrem pois esses emigrantes que chegam teoricamente competem pelo mercado de trabalho com os sul-africanos. Tudo vem se agravando com a alta dos preços dos alimentos em todo o mundo. A inflação também aterroriza essa população.
Vemos então que o conflito acontecido nesse mês de Maio que deixou mais de 56 mortos não se trata de xenofobia, mas sim um caso de competição pela sobrevivência.